venexia

Veneza sempre me fascinou pela sua singularidade formal, mas mais do que isso, pela sua dimensão temporal.
de contornos diluidos, Veneza apresenta-se fora do tempo, insinua-se sem se definir.
a forma aberta sujeita a projecções e reformulações, revela-se continuamente num eterno dissolver e recompôr.
um movimento constante sem direcção, equilíbrio ou concordância.
nesta recriação perpétua e não imediata, a forma artística de Veneza trespassa a própria função urbanística.

foi neste contexto de irracionalidade, sem esquema unificador ou outro repousante equilíbrio, que me perdi.
as referências desapareceram, iniciou-se um processo de dissolução do eu e o consequente reformular da realidade.
encontrei na dúvida a afirmação de algo mais profundo e imutável.
novas vivências levaram-me ao entendimento e aceitação de outros níveis do ser.

a máscara
o que se esconde
a mudança
a vulnerabilidade
a insegurança
a não definição
a incoerência
o fluir das emoções


VE#2, 2008 | collages, wax and oil on hardboard | 60 x 42 cm


campiello albrizzi, 2008 | collages, wax and oil on hardboard | 60 x 42 cm


babel a venezia, 2008 | collages, wax and oil on wood | 140 x 60 cm