worms path [Landlyness]

Projecto inserido na exposição colectiva Landlyness apresentada na TAL gallery, que explora os índices dos vermes sobre troncos mortos.

Landlyness é uma exposição de artes visuais de Inês Norton, Salomé Nascimento e Francisco Osório, com texto crítico de Margarida de Lopes Grilo.
O título da exposição é representado por um palavra inexistente, aludindo a um espaço que é tomado como um ‘não lugar’, onde o sentido do valor
é desajustado e substituído por uma ordem que não reconhecem - um lugar onde não existe lugar. Os trabalhos apresentados recriam situações, que
tanto revelam uma necessidade, como, contemporaneamente aprocuram colmatar. Nas suas diversas técnicas e abordagens - vídeo, desenho, escultura,
fotografia e instalação - têm em comum a problematização do ‘valor’, a validação e a investigação do ‘lugar das coisas’.
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A utilização de materiais vulgares, manipulados ou indexativos, que se tornam fragmentos emblemáticos de uma determinada circunstância
espácio-temporal trivial, resultam de uma forma de entendimento do tempo que se permite olhar empática e demoradamente para os objectos
descartados, e despercebidos pelo modo frenético e acelerado em que a experiência contemporânea é vivida. Noutras palavras, através de uma
concepção de tempo que valoriza o prazer ocioso e, por isso, contrasta com a experiência contemporânea do quotidiano, os objectos desvalorizados
do passado estabelecem uma relação embaraçosa com o presente, onde o choque resultante do confronto entre as diferentes formas de apreciação
significativa destes objectos, expõe de forma crítica os motivos para o seu descarte. Estabelece-se, portanto, uma relação dialética entre o tempo
da recolha destes objectos e o tempo do seu reenquadramento e valorização em contexto artístico, desencadeando processos de problematização
acerca da arbitrariedade das diferentes possibilidades de valorização colectiva dos objectos no presente, ou ainda até sobre o modo em que as
estratégias de valorização dos objectos na sociedade capitalista actual, interfere na definição do que significa ser artista.
Podemos dizer que a estrutura formal dos trabalhos em exposição, ainda que pautada por técnicas artísticas diversificadas, comporta uma vertente
heurística transversal, que bebe da fragmentação do eu e da suspensão da pretensa linearidade dos acontecimentos, em busca de um conhecimento
crítico de si mesmo, do mundo e das práticas artísticas. Cada obra da artista é, portanto, uma tentativa de construção de um real encenado, que sabe
à partida ser impermanente, revelando o próprio carácter ilusório, transitivo e especulativo do autêntico.

Margarida de Lopes Grilo

studio view


TAL gallery, Cidadela Art District, exhibition view

wormpath#01 and #02, 2017 | pigment, wax and dammar resin | 95x66cm each

wormtalk, 2017 | drawing installation, calligraphic and indian ink on paper samples | 23x32cm each